sexta-feira, 3 de julho de 2015

Resenha: Uma pequena casa de chá em Cabul


  Olá turminha, faz um tempo que não movimento o blog, mas tenho um motivo bem justificável *...* estive relendo a saga Harry Potter, nossa gente, acho que não existe nada escrito no mundo que vença meu amor por esse personagem e muito menos  a minha admiração por sua criadora. Bem, ausência justificada, passo a minha resenha do momento.
  Eu não sei se isso acontece com vocês, mas as vezes eu tenho aquele impacto visual com determinadas capas e títulos, algo difícil de explicar, simplesmente a capa me compra (rsrsrs). Então em meio a umas pesquisas na internet me deparo com a capa mais linda e sofisticada que vi nos últimos tempos, nossa foi muito amor. Simplesmente tenho uma queda por temas que envolvam civilizações orientais, amo conhecer essas culturas e viajar nas suas paisagens, daí chego na sinopse e me derreto, demoro a comprar e demoro pra iniciar a leitura, mas quando começo... foram duas noites.
Fazia um tempo que nada me encantava tanto, e esse livro preencheu as minhas exigências, me levou a lugares desconhecidos, cultura e costumes novos, personagens com histórias contagiantes, me fez chorar e me fez sorrir. Tudo nas devidas proporções pra satisfazer meu coração de leitora e pra justificar minhas 3 horas de sono nos últimos dois dias.
  Sunny é uma americana que desistiu de sofrer com seu passado e decide tentar vida nova ao lado de seu namorado Tommy nas terras calmas de Cabul (me perdoe a piada). Ele se envolve na guerra por dinheiro e passa muito tempo longe e incomunicável, ela decide se ocupar e passa administrar uma casa de chá, um local aconchegante onde patriotas e estrangeiros possam sair por algum momento daquele mundo assombrado com o retorno do Talibã. Negócio bem sucedido, porém Sunny vive numa solidão comum a muitos de nós, aquela em que você vive rodeado de pessoas, mas sem ninguém. É quando a vida de Yasmina encontra a dela, uma jovem vendida para pagar uma dívida de família, mas que foi jogada na estrada quando sua gravidez é descoberta, num país onde uma viúva não pode estar grávida já que não pode provar que seu falecido esposo seja realmente o pai.
  A partir desse momento nossa leitura vai desvendando os mistérios do Afeganistão, suas particularidades e seus costumes tão distintos do nosso mundo ocidental. Sua pouca compaixão com suas mulheres, a pouca ou quem sabe nenhuma liberdade dada a elas. O tráfico sexual, os crimes morais pelos quais são apedrejadas até a morte ou trancafiadas em prisões sem colchão, comida ou espaço sequer pra se locomover. É quando o mundo de Sunny recebe mais duas amigas que de formas diferentes se misturam na sua vida de modo avassalador. Isabel, uma jornalista que sofreu na pele a violência sexual que muitas mulheres são obrigadas a passar, mas que percebe que isso virou um motivo de luta e não de dor. E Cadence uma beldade que se ilude com um bem sucedido e falso afegão, mas que tem a coragem de uma leoa e o conhecimento que poucos naquele mundo tem.
  A história do livro vai nos envolvendo e mostrando as facetas daquele povo que tem que “aprender” a viver com explosões a qualquer hora do dia e da noite , mas também nos aponta as razões para que muitos estrangeiros busquem um canto em meio a guerra. Conhecemos a dor e as dúvidas que permeiam os corações daquele povo, de homens que amam suas mulheres e que não interpretam o Alcorão como um livro de ensinamentos de tortura e descaso com suas mulheres, mas sim como um livro de amor.
  Eu convido e incentivo todos a sentarem nessa casa de chá em Cabul e apreciarem a paisagem, a dor e cultura local de um jeito mágico e realista. Esse livro entrou pra minha lista de melhores da vida. Parabéns a autora Deborah Rodriguez por sua obra fantástica e claro a Editora Leya que com sua equipe nos disponibilizaram um livro lindo de ver e ler!


Raíssa Carvalho

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